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Friday, May 21, 2010

O 4º F

Não, não me refiro à turma de AEC (Actividades Extra Curriculares) da professora de Mirandela que posou nua para a Playboy, e cujo irreflectido gesto teve como principal consequência colocar as tão famosas alheiras transmontanas firmes e hirtas...
Nem me refiro à vizinha do 4º Frente cujas tangas fio dental têm insistentemente caído na minha varanda do 2º Piso e nunca caem em nenhum dos outros andares...

Fado, Futebol e Fátima são, até agora, os conhecidos 3 Fs que simbolizam os valores portugueses na época da ditadura de Salazar.

O 4º F esteve escondido num envelope selado até ao dia em que foram anunciadas pelo nosso governo, com a conivência do principal partido da oposição, as tão badaladas medidas de austeridade, de combate ao Défice.

Por causa desse gajo, o Défice, vamos todos pagar mais IRS e IVA e vários benefícios fiscais nos vão ser reduzidos.
Entre 2000 e 2008 o país pediu 34 M€ emprestados por dia à UE e eu agora é que os vou ter que pagar ? 34 M€ por dia !!!
Para quê ?
Para subsidiar o abate de frota pesqueira e a destruição de plantações agrícolas, para o esbanjamento de novo-riquismo em obras cujos orçamentos foram largamente ultrapassados, para a compra de submarinos com contra-partidas ruinosas, para a beneficiação das empresas lideradas pelos boys nos concursos das grandes obras públicas, entre muitas outras escandaleiras...

Eu, tu, nós... O que fizemos para contribuir para que esta situação financeira do país chegasse a este estado ? Sempre pagamos impostos, temos as nossas obrigações em dia, não devemos nada a ninguém, continuamos ano após ano a perder poder de compra, a navegar à vista...
Para quê ?
Para que alguns abutres esperem sossegadamente que os alimentem com carne fresca já desossada, para que alguns especuladores brinquem no Casino da Bolsa, para que a Banca enriqueça à custa do consumismo e do crédito fácil.
A Banca, como num círculo vicioso, primeiro com o crédito fácil na ânsia do enriquecimento rápido dos accionistas, depois o crédito mal parado e a dificuldade em cobrar, as dificuldades de financiamento externo no BCE, o aumento dos spreads e a dificuldade em obter crédito... Já para não falar dos casos BPN e BPP em que o financiamento teve que ser interno dos nossos bolsos...
O 4º F é então revelado: Depois de Fado, Futebol e Fátima o 4º é um F de Fodidos !!! E mal pagos !!!

Monday, October 12, 2009

Campanha Eleitoral

Finalmente terminaram as campanhas eleitorais!
Legislativas e logo de seguida autárquicas é muita areia para a minha camioneta...
Praticamente um mês inteiro de injecção partidária em todos os meios de comunicação social e muitas vezes nas nossas ruas...
Devo confessar que não tenho qualquer fascínio pela política activa partidária. Gosto de discutir ideias, tenho as minhas convicções e dúvidas, mas não me revejo na forma de fazer política actual. Placares em todas as rectas, curvas e rotundas, folhetos na nossa caixa de correio, bandeirinhas agitadas, debates a toda a hora, intrigas, jantaradas com militantes, arraiais de música pimba, arruadas pelas feiras, falsas escutas...
Muito dinheirinho gasto dos bolsos dos contribuintes, na maior parte das vezes sem qualquer impacto no esclarecimento programático e na decisão do voto do eleitor.
E para quê ? Para mudar o disco e tocar o mesmo !
As ideias podem ser diferentes, mas os objectivos deveriam e poderiam ser iguais. Mas não.
A oposição só quer o poder, o poder só quer a maioria absoluta para poder governar sem a oposição. Há quem perca as eleições para uma autarquia e que se recuse a ser vereador!

Faltam ideias e vontade de as concretizar. Falta vontade de trabalhar em conjunto para um objectivo comum. Não interessa tanto divulgar o conteúdo do meu programa, mas é mais importante dizer que o teu programa não presta. É triste mas é uma realidade.
Festeja-se a conquista de uma Câmara com a euforia e exagero de quem ganha um campeonato de futebol, quando o sentimento deveria ser apenas de serenidade e responsabilidade pelas funções que se irão desempenhar nos próximos 4 anos, com a colaboração de todos e não só dos que ganharam. Mas não. O importante é que durante os próximos 4 anos irei ter o meu tachinho, irei ajudar os meus amigos a fazer alguns biscates e se aceitar uns "presuntinhos" ou uns "franguinhos do campo" não há-de vir mal nenhum ao mundo. Que o digam os Narcisos, os Valentins, os Ferreira Torres, as Felgueiras e os Isaltinos deste país...

Thursday, August 20, 2009

Silly Season

I wonder why they call it silly season...shouldn't it be silly country ?

"Silly season" é uma expressão que remonta aos finais do séc. XIX e que fundamentalmente significa aquele período do ano a meio do Verão, em que a classe política está de férias da Assembleia da República, e que por falta de notícias de carácter político a comunicação social recria-se com histórias menos importantes e mais sensacionalistas com a intenção de obter mais vendas, ou de não as perder...
No entanto, é mais uma altura do ano em que a parvoíce está no seu auge, do que uma altura do ano em que ela apenas aparece...

É a pré-época futebolistica com o anúncio de 100 novos jogadores a serem contratados pelo Benfica quando na realidade vão ser só 35... Alguns deles a ganharem mais de 200 salários mínimos, mas que quando abrem a boca ou entra mosca ou sai merda... Jogadores que quando marcam um golo tiram a camisola para mostrarem as tatuagens e apanharem o segundo cartão amarelo... Nunca percebi qual o gozo de tirar a camisola quando se marca um golo... Estranho !

É o Marcelo a mergulhar no mar, o Soares a rebolar na areia, o Louçã a evangelizar no calçadão, o Portas a comprar umas peúgas na feira de Espinho, o Santana a tentar engatar a Joana Amaral Dias, o Sócrates a promover o Magalhães porta a porta e o Jerónimo a riscar a cassete do Carvalhas.

É o regresso dos emigrantes para verem a família e participarem nas festas populares da terriola. As vendas de música pop-pimba atingem o seu máximo com os novos êxitos do Toy, do Emanuel ou do Malhoa. As praias ficam cheias de "avec's" e de "auf wiedersehen´s" com as suas malas térmicas e garrafões de vinho martelado.

Mas o que seria a silly season sem as revistas cor de rosa e os seus "silly puppets" ou vulgo jet-set?
A Cinha a recolher os poios do seu cão da via pública, a Lili que fez mais um peeling facial, a Bibá que comeu uma Pitta Shoarma no Colombo, a Pituxa que se embrulhou com o Kapinha no Sasha Beach, o Castelo Branco que comprou o guarda-roupa do Michael Jackson...

Já não há mais paxorra ! Ainda falta muito para chegar o Outono ?

Monday, August 03, 2009

Caravela Portuguesa

Bilbau, País Basco, 6ª Feira, 16 de Janeiro de 2015

Oito anos depois do início da crise económica mundial, com origem nos EUA na chamada crise do "subprime", realizava-se, num clima de extrema tensão social, a XXX Cimeira Luso-Espanhola.
Do lado português seguia da Capital uma extensa comitiva de ministros e outros membros do partido socialista, liderados pelo Engº António José Seguro, recentemente eleito Primeiro-ministro de Portugal.
De nuestros hermanos a comitiva, em muito maior número, era encabeçada pelo principal membro do Governo Espanhol de maioria PP, Mariano Rajoy.
O clima, como já referido, era de cortar à faca… A crescente taxa de desemprego chegava em Portugal aos 18%, a pobreza atingia os 40% da população e apesar da economia mundial já mostrar claros sinais de retoma, em Portugal esses sinais tardavam em se manifestarem.
Ao mesmo tempo, num ambiente de grande secretismo, algo se passava no interior ostracizado do nosso País...
Cansados de serem marginalizados, maltratados e ignorados pelo Poder Central várias comunidades de Norte a Sul do País se uniam e conspiravam.
Em surdina comentava-se que comunidades galegas estavam igualmente envolvidas no conluio.
O plano era perfeito, a altura a mais adequada.
Todas as atenções estavam centradas na Cimeira. Políticos e forças da segurança concentravam energias para que tudo corresse na normalidade em Bilbau, principalmente depois dos atentados contra membros do PP ocorridos no ano anterior e que tiraram a vida a dois importantes cabeças de lista às eleições autárquicas em Espanha.
Quatro mil e quinhentos agentes de autoridade portugueses e espanhóis praticamente isolavam os dois governos ibéricos em Bilbau, deixando caminho livre em Portugal para que o plano fosse levado a cabo com sucesso.
A ideia era simples, a execução técnica muito complicada.
Havia que colocar, ao longo da fronteira que separa os dois países e noutros locais estratégicos uma brutal carga explosiva no subsolo com o objectivo de subdividir Portugal em 3 zonas distintas: Norte, Centro e Sul.
O Norte ficaria compreendido entre Bares (ponto mais a Norte, na Galiza) e a Figueira da Foz.
O Centro iria desde a Figueira da Foz a Setúbal.
O Sul ficaria compreendido entre Setúbal e Faro.
O objectivo era claro, as consequências imprevisíveis: Regionalizar através de uma deslocalização geográfica das regiões.
A região Centro sofreria uma rotação de 180º passando a capital a ser Portalegre com a Serra de São Mamede a proteger a cidade do Oceano Atlântico criando um micro-clima único.
O Sul, aproveitando a Corrente das Canárias juntar-se-ia ao Arquipélago da Madeira que passaria a ter como capital Albufeira em detrimento do Funchal.
O Norte por ser uma maior área geográfica necessitava de algo mais do que uma simples corrente marítima. Uma vela de 50Km de largura por 150Km de altura transformaria a região Norte na maior Caravela Portuguesa de todos os tempos, que impulsionada pelos ventos Alísios e pela corrente Equatorial, se alojaria no mar das Caraíbas, junto à República Dominicana.
A capital seria a cidade do Porto.
Com 2 “ilhas”, uma a Norte e outra a Sul, a abandonarem Portugal Continental, o nosso País apenas com a região Centro transformar-se-ia num promontório de Espanha.
Os desempregados de Paços de Ferreira ficaram encarregues de fazer o mastro, os do Vale do Ave de fazer a vela e os feirantes de Norte a Sul do País ficaram responsáveis pelos explosivos. Os preparativos tinham já começado há dois anos.
Mas algo correu mal naquela noite…
Com o tempo a madeira do mastro ganhou caruncho e mal começou a ser içada para os 15Km de altura quebrou nos pontos de união.
Partes da vela, terminada com algumas das coberturas das tendas dos feirantes, rasgaram-se em vários sítios ao primeiro ensaio num túnel de vento.
Felizmente a pólvora era de boa qualidade e foi durante mais de duas semanas colocada escrupulosamente nos pontos GPS previamente definidos, a uma profundidade de 2Km.
Chegara então o grande momento.
Três… Dois…Um… Buummmmm !!!!
Um enorme tremor de terra, grau 7,5 na Escala de Richter, abalou toda a Península Ibérica. Centenas de prédios desabam, grandes deslizamentos de terra, algumas barragens colapsam, os rios transbordam, milhares de mortos e desaparecidos… Algumas fissuras no solo, mas nada suficiente para haver uma separação física entre as regiões…
Cinco anos depois…
Trinta por cento dos fundos europeus para a reconstrução civil dos edifícios foi perdido ou desviado.
Apenas 2 dos 15 cabecilhas que organizaram o plano foram detidos e aguardam em liberdade o início do julgamento previsto para daqui a ano e meio.
Cinquenta por cento dos feridos traumáticos aguardam ainda em lista de espera para operações de reconstituição.
Quando no resto da Europa já se respirava um clima económico de pleno crescimento e sustentabilidade, a retoma económica finalmente havia chegado a Portugal…

Wednesday, May 07, 2008

A dama de ferro

Para quem já não se recorda, esta senhora foi Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo Constitucional, entre 2002 e 2004, governo esse então presidido por Durão Barroso (o cherne).

Entre outras medidas impopulares (originadas por uma grave situação orçamental), subiu a taxa de IVA de 19% para os actuais 21%.
A "Margaret Tatcher" portuguesa é a candidata em melhor posição para liderar o partido laranja que se encontra actualmente como o Benfica (sem rumo), e poder almejar em 2009 à presidência do XVIII Governo Constitucional. A decisão de se candidatar, para o bem do partido e principalmente do país..., contra os seus próprios interesses pessoais e familiares acabou por travar uma potencial candidatura do circence Alberto João e irá com certeza reduzir as probabilidades de vitória do sempre candidato, nunca desistente Santana "Flopes".

Que pena não podermos ver o Alberto João numa campanha eleitoral para líder do partido, ou mesmo já como primeiro-ministro !!! Assim a palhaçada que se vive neste país tinha realmente um intérprete à altura para nos fazer rir...

Sendo assim, muito provavelmente iremos ficar com a "not fashionable" Dama de Ferro à frente dos destinos do país e vamos continuar com certeza a apertar o cinto.


Enquanto o IVA, o IRS, o IRC, as taxas sobre os combustíveis, os impostos sobre os automóveis, os spreads bancários, o desemprego, entre outros continuam elevados, os aumentos salariais continuam baixos, o que transforma os portugueses num povo cada vez com menor poder de compra da Europa. Mas o que importa é que o défice esteja controlado. Podemos passar fome, ter uma baixa taxa de alfabetização, um sistema de saúde público que funciona mal, um sistema judicial que acumula processos sem resolução à vista, mas temos o défice controlado. Portanto a casa está arrumada...

Não tarda muito vamos todos fazer como o Durão Barroso fez em 2004: emigramos !

Wednesday, December 05, 2007

A Galpada

"O consórcio integrado pela Galp Energia anunciou esta semana uma nova descoberta de petróleo no Bloco 32 de águas ultra-profundas (mais precisamente a 1607m de profundidade) do "off-shore" de Angola, nomeadamente no poço de pesquisa designado por Alho-1.
Esta descoberta confirma a existência de petróleo de boa qualidade numa formação geológica de idade oligocénica, com um débito de 5400 barris diários.
O Bloco 32 vê assim o seu potencial confirmado com as anteriores 12 descobertas anunciadas entre 2003 e 2007, estando a decorrer estudos técnicos complementares para avaliar os resultados dos testes.
O consórcio que explora o Bloco 32 é constituído pela francesa Total (operadora, 30%), a norte-americana Marathon Oil (30%), a Sonangol (20%), a norte-americana Exxon (15%) e a Galp Energia (5%).
Em termos "off-shore", de Angola, a Galp também está presente nos Blocos 33, 14 e no 14K/A-IMI. " - in Público.

Eu pensava que havia falta de petróleo... e que por isso os preços não paravam de subir...
Vai ser desta vez que os preços dos combustíveis automóveis vão finalmente baixar significativamente ? Não me parece.
Ou, como o petróleo é de boa qualidade, vamos ter um outro sub-produto de luxo género GForce ? É possível que sim...
Os administradores e accionistas vão continuar a tirar fortes dividendos dos lucros fabulosos do negócio e os pobres contribuintes vão ter que um dia vender o carro para poder encher um depósito de gasóleo ? Já esteve mais longe de acontecer.
Nesse dia, e se não houver alternativas mais económicas, vamos passar a deslocar-nos mais vezes de transportes públicos movidos a gás natural e quem sabe de bicicleta para o trabalho, como já acontece nalguns países da Europa.
Eu já me ando a habituar aos domingos de manhã...